Ser vegetariana: de amante de picanha para torrada de abacate

Como uma boa catarinense, cresci comendo churrasco nos finais de semana e praticamente todo o almoço tinha carne, mas a vida deu voltas e de amante de picanha, hoje, sou apaixonada por torrada com abacate. Ah, e não como nada de açúcar processado e decidi ser vegetariana! Agora como isso aconteceu? Não sinto falta nenhuma e também não julgo quem come, pois passei quase a vida toda comendo. Mas quando falo que sou vegetariana, as pessoas sempre querem saber como aconteceu essa mudança, se isso é saudável... então, hoje vou escrever sobre isso.
 
Em 2013 eu assisti um documentário chamado “Forks Over Knifes” e me chocou muito. Meu avô teve vários derrames e colesterol sempre foi o inimigo da minha família. Após ver o documentário, tentei ser vegetariana, parando primeiro de comer carne, e foi muito difícil. Resolvi então, comer somente peixe e mesmo assim não deu certo. Quando engravidei da minha filha, chegava a sonhar com almondegas e picanha!!! Ou seja, não durou. Durante a gravidez, virei a carnívora que sempre fui, comia muita carne e era o que precisava naquele momento e voltei a comer carne sem culpa. O meu corpo precisava de carne. Até hoje acho que existem alguns biotipos que realmente precisam de carne e outros não.

Na primeira vez que tentei ser vegetariana e parei de comer carne em 2013, foi pela a minha saúde. Pelo medo do colesterol, medo de ter derrame um dia. Naquele momento achava que ser vegetariana pelo meio ambiente, pelas dores dos animais, era algo que ainda não conectava comigo diretamente. Mas aos poucos fui mudando. No início de 2016, quando comecei a meditar por causa de dor nas costas, vi que as minhas emoções manifestavam no meu corpo, nos meus músculos e comecei a ter uma certa relutância em comer carne. Eu comia e pensava como aquele animal teria sofrido e o quanto desse sofrimento estava naquela carne. Sei como isso parece bobagem, mas como sentia que às vezes um estresse fazia a minha lombar ficar mais tensa, eu refletia: “e se esse animal era estressado, teve medo, ou sofreu muito? ”. Pensava que de tensão muscular eu já tinha o suficiente no meu corpo e não queria nada mais de nenhum outro animal. Comecei a ter cada vez menos vontade. Até que chegou em um momento que não comia mais carne e me sentia cada vez melhor. Hoje, ainda como ovos e, apesar de não estar comendo queijo e iogurte por outras razões, eu gosto muito. Não sei se um dia vou virar vegana, mas entendo o porquê de muitas pessoas serem veganas, as admiro muito, mas não sei se é para mim. Acho que esse tipo de escolha tem que ser bem orgânica e sem pressão. 

Todos ao meu redor ficaram chocados quando comecei a falar abertamente sobre ser vegetariana, pois era a primeira na churrascaria, amava uma picanha, um estrogonofe de frango, um cheeseburguer, mas foi assim, vendo a minha dor emocional, meu estresse virando uma dor física, que decidi ser vegetariana. Não foi porque assisti um documentário, não foi pelo sofrimento dos animais, mas foi a minha experiência. Todas essas razões são validas, mas como senti na pele essa correlação entre sentimento/emoções e o corpo físico, não consegui mais olhar para as carnes da mesma maneira. Eu sentia que era absolutamente impossível esses animais não passarem para seus corpos as dores das suas vidas, e eu não queria isso dentro de mim. E quanto mais meditava, mais aumentava a compaixão pelos animais e meu entendimento de que estávamos de fato todos conectados, distanciava-me de comer carne.

Hoje tenho dois filhos e acredito que o melhor para eles seja não comer carne. Porém deixo eles escolherem quando o pai deles cozinha algo ou os avós. Eles veem que eu não como e a minha filha, que já tem quase 5 anos, me perguntou por que eu não como carne, peixe, frango. Expliquei que decidi ser vegetariana, pois não quero me alimentar de nada que tenha sentimentos. Ela na hora entendeu que eles também têm sentimentos e diz ser vegetariana. Mas claro, que não falo nada quando ela come macarrão à bolonhesa. Acredito que se for para eles serem vegetarianos, será aos poucos. Já cozinho muitos pratos com opções sem carne e eles acham completamente normal não ter carne nas refeições. Coisa que para mim não era normal até poucos anos atrás. Acho que em média os meus filhos comem carne uma vez na semana, talvez duas. Eles são super saudáveis e isso para mim, no momento, já é o suficiente.

Se você quer ser vegetariano, mas já tentou e não consegue, tenho uma dica: medite diariamente. Realmente acredito que foi fácil para mim, da segunda vez, por causa da meditação. Ela cria um elo com todos os seres vivos. Meditando você vive essa sensação de que todos somos um e aumenta a compaixão. E a outra dica é não ter pressa. Foque em criar o hábito de meditar e tudo virá na sua hora. Se é para você ser vegetariano/vegano, isso irá acontece. Se não for para ser, não será. Eu li também uma carta escrita pela 3HO onde uma aluna de Kundalini Yoga pergunta se precisa ser vegetariana, e a resposta é linda. Resumidamente, a resposta é que você não precisa ser vegetariano para fazer Kundalini Yoga, mas que se você acha que seria melhor para você, experimente e veja como se sente e aí decida baseado na sua experiência.

Algo importante que gostaria de mencionar para finalizar: ser vegetariano/a não quer dizer que você é mais saudável, pois já vi muito vegetariano vivendo de pizza, doces e batata frita. Existe um abismo entre ser vegetariano/a e ser saudável. Acredito que é importante ser consciente na hora de comer e isso pode incluir, mas não é somente ser vegetariano/a. Hoje em dia, nós todos engolimos a comida. É importante lembrar que o nosso corpo é um templo e a maneira que cuidamos do nosso templo vai refletir na nossa saúde e bem-estar. Observar como você se sente após as refeições faz parte desse processo. No meio de tanta comida processada, falta de tempo, hoje nós todos como sociedade estamos comendo muito mal. Então, se você quer melhorar a sua saúde e bem-estar, começar pela alimentação é um bom primeiro passo.

E você, como se alimenta?

Um abraço apertado e Sat Nam!

Daniela.

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